A guerra no Iraque foi oficialmente encerrada nesta quinta-feira, com o descerramento da bandeira dos Estados Unidos e o fechamento do quartel-general norte-americano em Bagdá. Assim, o presidente Barack Obama cumpriu uma de suas promessas de campanha e deu fim a essa guerra que, em março completaria nove anos. Obama disse que caberá à história julgar se a invasão foi uma estupidez. Impressiona o fato de ele não querer bater de frente com o seu antecessor George Bush, responsável pela guerra feita em nome de uma mentira, as tais armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que nunca existiram. Uma guerra também, feita sem a autorização da ONU. A organização estava com os seus inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica no Iraque, para ver se existiam tais armas, e, se não tivessem saído às pressas, teriam levado bomba pela cabeça, pois Bush mandara atacar, sem dar bola para as Nações Unidas.
Obama disse também que os militares deixarão o Iraque “com honra e de cabeça erguida”. Bem, cerca de 4.500 deles não estão neste contexto, porque seus corpos voltaram para os EUA enrolados em plástico, pois tombaram na guerra. Falar em honra para os militares, até pode-se aceitar, porque esses cumprem ordens. Agora, não se pode dar esta mesma láurea para o governo Bush. Pelo contrário. Esse tinha que ser responsabilizado por fazer uma guerra em nome de uma mentira. Em nome disto, destruíram o país, matando mais de 100 mil civis iraquianos, além de 10 mil soldados, segundo números da ONU. Paul Krugman, em seu livro “A Desintegração Americana”, diz: “Os que se opunham à guerra tinham razão quanto ao exagero da ameaça que o Iraque representava. Depois de um ano de ocupação, ficamos sabendo que o Iraque não tinha qualquer programa nuclear ativo, o que teria sido a única justificativa para uma guerra preventiva. Ele não estava sequer escondendo armas químicas dos tão criticados inspetores da ONU. E não surgiu qualquer prova de uma ligação significativa entre Saddam e a Al-Qaeda, e muito menos em relação ao atentado do 11 de setembro, ao contrário das repetidas insinuações de funcionários do governo americano”. Mais do que nunca, ficou evidente que Bush atacou o Iraque em nome das corporações que lhe deram sustentação eleitoral, numa ação que teve à frente a figura do vice-presidente Dick Cheney. Corporações do petróleo, das armas e da construção.
Logo que se falou em retirada do Iraque, o objetivo era deixar no país cerca de 40 mil soldados. Afinal, os conflitos internos seguem acontecendo. Obama decidiu mandar todo mundo para casa. Deixa apenas 200 militares para cuidar da embaixada americana, apesar de os combates continuarem. Especialmente, os atentados. E esses se dão em duas circunstâncias. Uma, contra as instalações dos organismos de segurança que estão sendo montados com a ajuda americana. São quartéis, delegacias de polícia, postos de treinamento militar, etc, que são alvo dos terroristas. Outra, nas disputas sectárias entre sunitas e xiitas, as duas correntes do islamismo, que eram controladas com mão de ferro ao tempo de Saddam Hussein, mas que agora extravasam suas divergências. São problemas que tendem a se agravar com a retirada das tropas americanas. O The New York Times resumiu bem a situação: “O Iraque é um país que não está exatamente em guerra e não está exatamente em paz”.
Enfim, o democrata Obama acabou com a guerra injustificada que o republicano Bush desencadeou. Mas, fazer guerra é da índole dos republicanos. Não é sem razão que no debate desta quinta-feira entre os pré-candidatos do partido às eleições de 2.012, foi considerado com pior desempenho o candidato Ron Paul. E o que ele defendia? O uso da diplomacia em lugar da guerra para tratar com o Irã!