O presidente dos EUA Barack Obama fez nesta terça-feira o seu pronunciamento ao Congresso sobre o Estado da União, que é a ocasião privilegiada em que o mandatário ocupa uma cadeia de rádio e TV para prestar contas à nação sobre o seu governo. Apesar de ter herdado de George Bush um país em profunda crise financeira e imobiliária, e ainda enterrado em duas guerras, Obama já conseguiu reverter em muito a situação. Começamos pelas guerras. Uma delas, a do Iraque, ele conseguiu acabar. Como disse: “Pela primeira vez em nove anos não há americanos lutando no Iraque”. Assim como também acabou com a casca de Bin Laden, em quem Bush não conseguiu botar a mão, ao longo de quase sete anos de caça.
Os recursos da guerra, que custou 1 trilhão de dólares, serão – em termos – aplicados na economia, que dá sinal de recuperação. Serão privilegiadas obras de infraestrutura. O desemprego que era de 9,1% caiu para 8,5%. Ainda é alto, mas, seguramente, irá baixar ainda mais com as medidas anunciadas por Obama. Entre elas, acabar com a dedução de impostos para as empresas que terceirizam empregos para fora do país e criação de créditos para empresas que trazem empregos de volta ao país. Além disto, contrariando os republicanos, o presidente está buscando uniformizar os impostos, que hoje poupam justamente os mais ricos. E um dos maiores traumas por que passou a classe média recentemente com a crise imobiliária, tentará ser resolvido com o refinanciamento de hipotecas a taxas mais favoráveis. Mais um abacaxi deixado por Bush que tenta corrigir. Mas, dentre esta recuperação econômica, cabe ressaltar o que Obama fez pela General Motors. Há cerca de três anos a empresa estava à beira da falência. Contrariando a filosofia de boa parte dos dominadores da economia americana, Obama usou dinheiro do Estado para salvar a empresa. Pois a GM fechou 2011 como a primeira indústria automobilística do mundo, superando japonesa Toyota. Detroit, que estava definhando, voltou a ser pujante.
Se no âmbito político o Irã ainda não foi alvo de uma declaração de guerra, no âmbito comercial houve uma formal declaração de guerra à China. Ao anunciar a criação da Unidade de Policiamento Comercial, Obama disse que a mesma irá “investigar práticas comerciais desleais em países como a China”. É o ataque ao vilão da economia mundial, com seus produtos falsificados e oriundos de trabalho escravo. Mas se o Irã não foi objeto de declaração de guerra, não deixou de receber sua advertência. Afinal, uma das coisas exigidas do presidente americano é mostrar firmeza com inimigo externo. Assim, por mais que Obama não queira uma nova guerra, se viu forçado a dizer que não elimina nenhuma opção para evitar que o Irã obtenha arma nuclear.
Tudo isto, evidentemente, está inserido no contexto de uma campanha eleitoral que terá seu desfecho a 6 de novembro. E, para satisfação de Obama, se dá em meio a uma campanha republicana em que os candidatos estão comendo o fígado um do outro, não tendo ainda um consenso sobre um nome para representar o partido.