Em meio às iniciativas do Ocidente de adotar sanções contra o Irã por causa do seu programa nuclear, inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica seguem desenvolvendo negociações com o governo de Teerã. Os inspetores estiveram no país de domingo a terça-feira, observando o andamento do programa iraniano e se comprometeram a voltar no dia 21, para seguirem com as observações. O chefe da Aiea, Yukiya Amano, afirmou que a agência se comprometeu a intensificar o diálogo, o que segundo ele, continua sendo essencial para o progresso de questões importantes. Em comunicado, os inspetores da agência explicaram suas preocupações e identificaram as prioridades, que estão focadas no esclarecimento de um possível componente militar no programa iraniano.
O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, disse que o seu país não tem nada a esconder e que não está desenvolvendo atividades nucleares clandestinas.
Vale lembrar que os Estados Unidos e a União Européia alegam que o Irã desenvolve um programa nuclear com a finalidade de produzir a bomba atômica. O Irã afirma que o seu programa é exclusivamente para fins medicinais. A rigor, o Irã tem direito a desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, porque é signatário do Acordo de Não Proliferação Nuclear. Desconfiado de que o regime dos aiatolás está a caminho da produção da bomba, o Ocidente adotou sanções econômicas contra Teerã. Dentre elas, decidiu suspender a compra de petróleo iraniano, tendo dado um prazo de seis meses para que os países mais dependentes busquem outros fornecedores. Diante disto, o Irã ameaçou cortar imediatamente o fornecimento para esses países.
É em meio a esse imbróglio que os inspetores foram a Teerã. O Conselho de Segurança da ONU já adotou quatro resoluções com sanções contra o Irã, citando riscos de proliferação de seu programa nuclear e a falta de cooperação do país com a Aiea. Este último detalhe tem sido o mote que o Ocidente tem usado para adotar sanções contra o Irã. Como os iranianos alegam que estão desenvolvendo um programa nuclear exclusivo para fins medicinais e não com vistas a uma bomba, deveriam abrir suas instalações aos inspetores. Como não o fazem, deixam sempre a dúvida no ar e o motivo para o Ocidente agir.