Depois de uma semana em Los Angeles, me encontro agora em San Francisco, uma das cidades mais lindas dos Estados Unidos, senão a mais. Embora ainda sendo inverno, a cidade tem um movimento intenso de turistas. Aliás, o inverno é o tempo em que os moradores do Norte dos Estados Unidos aproveitam para buscar o sol no sul. Mas San Francisco é cosmopolita, recebe gente de todo o mundo. E este domingo foi um lindo dia de sol, fazendo com que fosse intensa a movimentação pelos pontos marcantes da cidade, como o Pier 39, a ponte Golden Gate, o parque do mesmo nome, a ilha de Alcatraz, a chocolateria Ghirardelli e o Cable Car, o velho tradicional bonde, que sobe e desce pelas incremes ladeiras que cortam a cidade. Sem contar outros pontos, como a China Town, ou a rua Castro, onde a bandeira do arco-iris anuncia a presença dos estabelecimentos para gays.
Mas, enquanto desfruto esta cidade extraordinária, acompanho o fato que povoa as mentes americanas de indagações: o porque de o sargento Bobby Bales, de 38 anos, ter matado 16 civis em duas casas no Afeganistão, sendo 9 crianças? O The New York Times desde domingo publica uma longa matéria sobre o militar, que sempre fora um exemplo de compenetração no trabalho, de respeito às pessoas e de cultivar amizades. Assim, a dedução para o que aconteceu está na crueldade da guerra. Em meio aos combates, ele pedeu parte de um pé e sofreu um ferimento na cabeça. E o que é pior, viu alguns de seus melhores amigos morrer, recolheu seus corpos, assim como teve que recolher corpos de muitos iraquianos, além de socorrer muitos soldados feridos. Resultado deste acúmulo de sofrimentos: sofreu destúrbio cerebral, que o levou a cometer o desatino. Este fato é visto como mais um fator a levar os cidadãos americanos a pedir a retirada do Afeganistão.