Escrevo mais uma vez de Los Angeles para onde retornei depois de uma ida a San Francisco, de avião, e o retorno de carro, em um trajeto estupendo contornando o Pacífico, com suas praias maravilhosas e seus penhascos desafiadores. Como em toda viagem que faço, procuro unir o útil ao agradável, ou seja, passear, conhecer o novo ou rever o que fora agradável, e, ao mesmo tempo, buscar informações para a atividade profissional. No que toca às observações sobre a economia dos Estados Unidos, já falei no artigo de domingo passado. Quanto à parte política, as primárias republicanas seguem prendendo a atenção. Evidentemente, há muita curiosidade para saber quem irá enfrentar Barack Obama nas eleições de novembro. E, pelo andar da carruagem, o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, vai alicerçando a sua candidatura, reforçada pelas vitórias de Porto Rico e Illinois. Aliás, nas primárias deste último estado, que é base eleitoral de Obama, Romney deixou de lado as críticas aos seus concorrentes republicanos e atacou diretamente o presidente, como se já tivesse conseguido a indicação do partido.
Mas, daqui da terra do cinema Obama tem recebido alguns apoios marcantes. Obama tem sido contemplado com o apoio de pessoas famosas, ligadas ao cinema, em sua campanha com vistas à reeleição. Há poucos dias, Steve Spilberg doou 100 mil dólares para a campanha. George Clooney, dois dias antes de ser preso em Washington, por protestar contra a guerra e a fome no Sudão, participara de um banquete na Casa Branca, também em apoio a Obama. E nesta terça-feira houve mais um jantar, que teve a participação de Robert de Niro. Detalhe, cada um dos participantes pagou 5 mil dólares, verba destinada para o fundo de campanha. E pelo que se tem observado, Obama dificilmente perderá sua reeleição. Primeiro, por estar conseguindo recuperar a economia do país, embora de forma lenta. Segundo, porque nenhum dos candidatos republicanos está empolgando. Parece que nenhum deles tem o carisma necessário para enfrentar Obama. No entanto, em eleição pesa muito o momento do pleito. E, para isto, é preciso esperar até novembro.
E, em meio as observações políticas, revi San Francisco, uma das cidades mais lindas dos Estados Unidos, senão a mais. Embora ainda sendo esta passagem do inverno para a primavera, a cidade tem um movimento intenso de turistas. Aliás, o inverno é o tempo em que os moradores do Norte dos Estados Unidos aproveitam para buscar o sol no sul. Mas San Francisco é cosmopolita, recebe gente de todo o mundo, para visitar seus pontos marcantes, como o Pier 39, a ponte Golden Gate, o parque do mesmo nome, a ilha de Alcatraz, a chocolateria Ghirardelli e o Cable Car, o velho e tradicional bonde, que sobe e desce pelas ingremes ladeiras que cortam a cidade. Sem contar outros pontos, como a China Town, ou a rua Castro, onde a bandeira do arco-iris anuncia a presença dos estabelecimentos para gays.
O deslumbrante, no entanto, foi o trajeto de carro de San Francisco para Los Angeles, de cerca de 700 quilômetros, feito em três dias, pela Highway 1, com dois pousos no caminho. Vem-se costeando o Pacífico e passa-se por Santa Cruz, Monterey e Carmel, que são cidades no estilo de nossas Gramado e Canela, que preservam a natureza, possuem casas e estabelecimentos comerciais que obedecem a determinadas normas de construção, sendo quase tudo de madeira, que têm um tratamento paisagístico especial e que se destacam pela atenção ao turista. O pernoite foi em Carmel, cidade que teve Clint Eastwood como prefeito. Segue-se dali por uma área íngreme, com a estrada sendo ladeada por morros e penhascos, oferecendo uma vista deslumbrante do mar, com seus recortes, suas praias, etc. Vai-se por este cenário até São Luís Obispo, outra cidade do mesmo estilo das anteriores. A partir dali a rodovia torna-se plana, até Santa Bárbara, segundo ponto de pernoite. Cidade maior que as demais, com píer, marina e ruas arborizadas e floridas. Cerca de 100 quilômetros adiante chega-se a Los Angeles, pela praia de Malibu, que se destaca pelas mansões penduradas nas colinas. O passo seguinte é outra deslumbrante praia: Santa Mônica. E daí, o restante de Los Ângeles, com destaque para os estúdios de Hollywood e a Hollywood Drive, com a Calçada da Fama e o Kodak Theatre, onde se realiza a entrega do Oscar. Ponto culminante de uma bela e profícua jornada.