Os franceses estão indo às urnas neste domingo em meio a uma série de incertezas, que apontam para uma grande abstenção, a dúvida na hora de votar e a postergação da decisão para o segundo turno, a 6 de maio. Logicamente, que o que mais pesa nesta hora de votar é o bolso. E o bolso dos franceses, assim como o dos espanhóis, dos gregos, dos portugueses, dos italianos e de tantos outros pela Europa afora, está vazio. A crise na zona do euro está sendo impiedosa com todos. Até mesmo a poderosa Alemanha sente a crise, embora em muito menor escala. Tanto que é a sua primeira-ministra Angela Merkel quem está pilotando o plano de recuperação da Europa.
Este plano é o dito Pacto Orçamentário Europeu, assinado pelos 25 países da zona do euro e que está estrangulando os cidadãos dos países signatários. Na Grécia já houve até aposentado que se matou “para não ter que chegar ao ponto de pedir comida”. Consequência de um programa que, para reduzir o déficit público, estabelece corte nos investimentos públicos, redução de salários e de proventos de aposentadoria e corte de empregos. Sarkozy é signatário desse Pacto e, como tal, é o responsável por seus efeitos na França. Encurralado na campanha eleitoral, ele fez a defesa de um novo papel para o Banco Central Europeu, que seria o de “sustentar o crescimento”. Ora, o BCE está preocupado apenas é em impedir que o euro seja minado pela inflação. Enquanto isto, a França segue sendo sufocada pelo plano de austeridade que, como disse François Hollande em um comício, “é um modelo estrangeiro”.
Quem fez uma análise com propriedade sobre o modelo implantado na Europa é o Prêmio Nobel de Economia de 1998, o indiano Amartya Sen. Ele diz que “as medidas implantadas na Europa são baseadas em um modelo muito confuso. Você diz que elas foram implantadas para combater a crise. Na realidade, porém, elas estão agravando e muito o problema da recessão, ao acabar com incentivos para a expansão da economia na Europa, justamente quando é mais necessária”. Na realidade, a Europa não acompanhou o que fez a maior economia do mundo. Contrariando os republicanos, Barack Obama colocou o Estado como indutor do crescimento. Aliás, o que os Estados Unidos já haviam feito por ocasião da Grande Depressão de 1929. Como resultado da crise deflagrada em 2008, a General Motors estava quebrada e Detroit entregue às traças. Com a injeção de dinheiro do governo a empresa se recuperou a ponto de voltar a ser a primeira do mundo no setor automobilístico. E Detroit voltou a bombar. Se Hollande ganhar a eleição, é muito provável que tente fazer algo semelhante ao que fez Obama. Mas isto, porém, se conseguir livrar-se das amarras da União Européia. E para fechar, cabe dizer que Obama mostrou que o Estado não pode deixar de exercer o seu papel de supervisor.