Conforme era esperado, o pronunciamento de ontem à noite do presidente George Bush não ofereceu qualquer novidade mais significativa. Embora tenha embasado seu discurso na área econômica, não deixou de passar pelas questões de política externa. Há que se considerar que em uma e em outra Bush afundou os EUA. Ele recebeu de Bill Clinton um país com economia em crescimento de 5,5%, com desemprego em baixa e com um enorme saldo comercial. Hoje o país tem um enorme déficit em sua balança de negócios, enfrenta uma crise imobiliária, que está fazendo boa parte da população perder a sua residência, e ruma perigosamente para uma recessão. Além disto, seu governo deu as costas para as questões ambientais, negando-se assinar o Protocolo de Kyoto. Isto que ele dirige o país que é o maior emissor de gás carbônico do mundo.
Mas, pelo menos no que toca à economia, Bush toma uma medida salutar, ao aliviar a carga tributária dos cidadãos, fazendo com que fiquem com mais dinheiro para consumir. É um paliativo, mas é algo positivo. Porém, no que toca à política externa, o presidente americano insiste com suas acusações ao Irã e com o seu utópico projeto de estabelecer a paz entre israelenses e palestinos. E não falou no que os americanos mais anseiam em termos de política externa: a retirada das tropas do Iraque.
Enfim, com 30% de aprovação, em sua último ano de mandato, Bush tem quase nada a oferecer à população americana. E menos ainda ao seu Partido Republicano, que deve se limitar a assistir a uma disputa entre os clãs Kennedy e Clinton pela indicação do candidato democrata, tendo em vista o apoio de Ted Kennedy à candidatura de Barack Obama. Ou seja, Bush não vai deixar saudadades.