Os dois atentados em Bagdá, praticados por duas mulheres suicídas, demonstram o quanto a situação no Iraque está longe do controle, embora o governo Bush tente provar o contrário. Em seu último pronunciamento, sobre o Estado da Nação, Bush disse que as condições no Iraque haviam melhorado substancialmente e que o governo iraquiano estava assumindo as questões de segurança no país. Em última análise, a insurgência e a Al Qaeda estariam sendo derrotadas.
É inegável que ambas já não têm as mesmas condições de tempos atrás, até porque a população iraquiana está cansada de guerra e, como tal, quer voltar a ter tranquilidade e não se dispõe mais a dar suporte a ações que visem desestabilizar a presença americana no país. Mesmo assim o terror segue agindo. E esse terror é sustentado pela Al Qaeda, organização – que é sempre importante salientar – não existia no Iraque e que para lá foi depois da invasão americana. Até então, ela só existia no Afeganistão. Lá foi caçada pelas forças americanas, mas não foi exterminada. Como os americanos desistiram da caçada no Afeganistão e se voltaram para o Iraque, a Al Qaeda se reorganizou e hoje está no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão, onde ameaça derrubar o governo apoiado pelos EUA.
Tudo isto, decorrência da errada estratégia de Bush para a região, que não dimensionou os aspectos de fanatismo religioso na área onde mandou suas forças atuar. Fanatismo que agora leva até mulheres a cometer suicídio em nome da causa.