Colômbia e Equador chegaram a um acordo, porém, muitas coisas permanecem pendentes nesse conflito regional. Uma delas: houve muita cobrança à Colômbia pelo fato de ter invadido o território de país vizinho. O que é verdade. Houve uma violação territorial. Tanto que a Colômbia concordou em pedir desculpas ao Equador. Agora, não se fez qualquer cobrança ao Equador pelo fato de estar dando guarida em seu território à guerrilha colombiana. Tão grave quanto invadir um outro país é dar guarida a grupo terrorista de outro país. Sobre isto, nada se falou.
Outro aspecto contraditório desse conflito é a posição do presidente venezuelano Hugo Chávez. Ele fez um discurso enfático dizendo: “nós somos um povo e uma nação pacifista. Nós queremos a paz e nada nem ninguém nos tirará do caminho da paz verdadeira”. Ao mesmo tempo em que Chávez fazia essa afirmação, o seu ministro da Defesa, Gustavo Rangel Briceño, afirmava que até o fim do dia as Forças Armadas deveriam ter mobilizado 100% do contingente de dez batalhões que o presidente ordenou, no domingo, que fossem deslocados até a fronteira com a Colômbia. Ou seja, já houve acordo entre Colômbia e Equador e Chávez segue com a mobilização de suas tropas. Sem contar o fato de que o conflito não é com a Venezuela, mas entre outros dois países. Há que se acrescentar ainda um outro aspecto. O presidente venezuelano fala em paz e ao mesmo tempo anuncia sua disposição de nacionalizar empresas colombianas estabelecidas na Venezuela e de retirar as empresas venezuelanas que atuam na Colômbia. Mas, que espécie de paz é essa que está sendo pregada.
Colômbia e Venezuela tem um intercâmbio comercial da ordem de 6 bilhões de dólares. Com essa “paz” defendida por Chávez esse intercâmbio será enormemente prejudicado. E quem sofrerá as conseqüências serão os empresários e consumidores dos dois países.
Esta é a contribuição de Chávez para a integração latino-americana.