O que está acontecendo no Tibete chama a atenção para o fracasso da ONU como uma instituição reguladora dos conflitos internacionais. Todo o mundo sabe que a China comunista impôs o seu tacão sobre a monarquia religiosa do Tibete. E justo uma monarquia religiosa que prega a mais absoluta paz, diferentemente de outras que insuflam seus membros à violência. A pacata comunidade do Tibete e seus monges budistas perderam suas autonomia em 1951, quando a China tomou conta do país. Agora, perto do cinquentenário do acontecimento, a população saiu às ruas para protestar. Foi reprimida à bala.
É certo que ninguém vai sair em defesa do Tibete como fizeram os EUA em relação ao Kuwait, quando aquele país foi invadido pelo Iraque, em 1990. Os interesses e as conseqüências são bem diversos. Todavia, caberia ao menos uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, para conclamar a China a estancar a violência no Tibete. Só para conclamar, evidentemente, pois, como se sabe, qualquer ação condenatória seria derrubada pelo governo de Beijing, pelo poder que veto que detém no organismo. Aliás, outra aberração no âmbito das relações entre os países. Mas poderiam, pelo menos constranger o governo chinês, neste momento em que tenta passar para o mundo uma imagem positiva como organizador das Olimpíadas. Mas nem isto é feito. Afinal, o pobre Tibete não tem petróleo ou qualquer outra riqueza que desperte a gula do Ocidente. E além do mais, tem sobre si a pata do poderoso tirgre do Oriente, que ninguém ousa desafiar.