Não é segredo para ninguém que o presidente George Bush desencadeou a guerra contra o Iraque com a finalidade de por a mão no petróleo daquele país. Pois isto agora começa a tomar forma. Está por ser aprovada no parlamento iraquiano, diga-se de passagem, composto por defensores dos EUA, uma lei que autoriza a abertura da exploração do petróleo às firmas estrangeiras. Assim, a terceira maior reserva petrolífera do mundo está prestes a cair nas mãos de multinacionais, como a Shell, a Exxon e a British Petroleum. Elas vão firmar contratos de exploração do produto por 30 anos, ficando com 75% dos lucros a serem auferidos. Sabe-se que na região o petróleo é monopólio estatal, como na Arábia Saudita e no Irã, que são os dois maiores exportadores do mundo.
O governo iraquiano, colocado no poder pelos EUA, espera que a lei entre em vigor até março. Essas artimanhas foram descobertas pelo jornal britânico The Independent. E o jornal cita James Paul, diretor-executivo do Global Policy Fórum, organização que monitora governos internacionais, o qual disse “não ser exagero afirmar que a maioria avassaladora da população iraquiana se oporia à medida. Aprovar a lei de qualquer maneira, sem uma discussão mínima no parlamento iraquiano, equivale a derramar muito óleo sobre fogo”. Que é o que George Bush está fazendo.
A concretização dessa medida, no entanto, passa pela consolidação da posição americana no Iraque. E esta, como se sabe, não tem nada de consolidado. Pelo contrário, as tropas americanas estão mergulhadas num atoleiro. Há uma situação de impasse, em que não vão adiante com a tomada do controle do país, nem tampouco são derrotados pelos insurgentes. Para tentar romper com esse impasse, Bush decidiu mandar mais 21.500 soldados para o Iraque. A decisão contraria a vontade da maioria da população americana. A qual já respaldou a guerra, mas hoje se dá conta do erro. Tanto que o prestígio do presidente está em queda livre. Apenas 29% lhe dão o respaldo, segundo mais recente pesquisa CNN/US Today.
Em meio aos protestos mundiais por sua decisão de mandar mais tropas para o Iraque, o presidente George Bush autorizou mais uma ação que vai contra a tudo o que pregam aqueles que querem o fim dos combates. Estou me referindo à invasão por tropas norte-americanas do consulado do Irã, na cidade iraquiana de Irbil, 354 km ao norte de Bagdá. Ora, todo o mundo sabe que uma representação diplomática se constitui num território do país ali representado. E, como tal, deve ser respeitado, conforme estabelecem as normas internacionais. Os EUA violaram essas normas.