O presidente venezuelano Hugo Chávez chega hoje ao Brasil para, durante dois dias, discutir com Lula questões de cooperação bi-lateral. Dentre estas, despontam dois temas: o mercosul e o conselho regional de defesa.
Se dependesse da vontade do Brasil, o Mercosul já tinha se transformado na Comunidade Sul-Americana de Nações. Mas esta é uma utopia, enquanto envolver dirigentes tão opostos quanto o venezuelano Hugo Chávez e o colombiano Álvaro Uribe. Fica-se, portanto, com o Mercosul. Um Mercosul debilitado, mas do qual Chávez quer fazer parte. Não para estabelecer um processo de cooperação econômica, mas para ter um palco importante para o preselitismo de sua revolução bolivariana. Até agora, não houve a aprovação dos Congressos do Brasil e do Paraguai para o ingresso da Venezuela no Mercosul e, tampouco, houve qualquer acerto no que toca às medidas econômicas e aduaneiras que devem ser observadas pelo pretenso novo membro do organismo. Mesmo assim, Chávez fala como se fosse o líder do bloco, propagandeando uma outra utopia: a construção de um gasoduto ligando a América do Sul, de um extremo a outro. Imagine-se, se se cria uma dependência desse produto venezuelano, como se criou a do gás boliviano. De repente, Chávez faz como Morales: fecha a torneira e todos os parceiros ficam na mão.
Já o outro tema, o conselho regional de defesa, é muito mais complexo. Trata-se uma proposta brasileira, que não deixa de ser a terceira utopia a ser abordada neste comentário. Basta ver o já citado exemplo de Chávez e Uribe lado a lado, agora compondo uma força militar. Assim, a única dedução que se deprende dessa ação brasileira é de ser uma estratégia com vistas a controlar o crescente armamentismo de Chávez.
Independentemente deste aspectos, um encontro de Lula e Chávez é sempre motivo de muita badalação.