A refinaria que está sendo construída em Pernambuco é o único empreendimento conjunto até agora colocado em prática por Brasil e Venezuela. Mesmo assim, esse empreendimento esbarra em questões futuras, pela forma de atuar das duas parceiras: a Petrobrás e a Petróleos de Venezuela. Acontece que o dinheiro da estatal brasileira é controlado pelos acionistas. Embora o governo seja o maior acionista, não tem liberdade para colocar a mão no dinheiro da empresa. Já a PDVSA é controlada totalmente pelo governo. E é com este dinheiro que Chávez faz o seu proselitismo. Daí também a visão diferente sobre o empreendimento.
Aliás, a refinaria de Ipojuca é para ser um projeto conjunto que terá um similar em Orinoco, na Venezuela. Porém, até agora só a Petrobrás colocou dinheiro na obra. A propósito, os gastos extravagantes de Chávez tem enfraquecido a PDVSA. Há dois anos, quando Evo Morales nacionalizou o gás da Bolívia, a estatal venezuelana prometeu fazer investimento de 1,5 bilhão de dólares na Bolívia. Até agora, não foi aplicado um centavo. Tanto que Morales mudou o tom de sua conversa com o Brasil e chamou de volta a Petrobrás para o seu país.
O fato é que Chávez usa o dinheiro do petróleo para o seu “bolsa família”, para ajudar os governos aliados da Bolívia, de Cuba e da Nicarágua, e ainda para comprar armamentos. Neste ponto, quer formar o maior exército da região e, ao mesmo tempo, está armando milícias populares. E o que se constata é que a fonte de Chávez parece estar secando.