Desde ontem, mais nove países se incorporaram ao sistema sem fronteiras da Europa. Agora, os cidadãos europeus podem transitar livremente, ou seja, sem apresentar passaporte, por 24 países. Antigas repúblicas soviéticas, como Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, as três repúblicas do Báltico: Letônia, Estônia e Lituânia, todas estão no esquema. Imagine-se o que representa para esses povos poder circular e se expressar livremente, tendo em vista que há menos de duas décadas estavam sob o tacão da então União Soviética. O governante de algum desses países que ousasse desafiar Moscou logo via os tanques do Pacto de Varsóvia invadir o seu país. Assim foi, por exemplo, com Hungria, em 1956, e com a então Tchecoslováquia, em 1968.
Hoje, a quase totalidade do Leste Europeu mudou completamente de rumo, aderindo à União Européia e,alguns, até mesmo à OTAN, ou seja, à força militar que fora constituída para se opor ao Pacto de Varsóvia. Todos têm expectativa de contar com os fundos da UE para experimentar um crescimento semelhante ao que tiveram Portugal, Espanha e Grécia, que eram os países mais pobres do bloco ocidental.
Seguramente, que nenhum quer voltar ao velho esquema de partido único e de economia centralizada, onde o Lada e o Traby eram os carros símbolos do avanço, entre aspas, logicamente.
São novos e salutares tempos para os europeus em termos de integração. Enquanto nós aqui, se quisermos passar para o lado uruguaio, teremos que apresentar documento, preencher uma ficha de imigração e teremos o nosso carro revisado. Poderia citar uma série de outros obstáculos, mas cito só este para mostrar o quanto o nosso Mercosul está distante da União Européia.