Deve continuar, pelo menos até amanhã, o bloqueio das estradas argentinas, determinado pelas quatro principais entidades representativas do setor agro-pecuário: a Confederação Rural Argentina, – CRA, a Federação Agrária Argentina, – FAA, a Sociedade Rural Argentina, – SRA, e a Coninagro. Tudo porque, a presidente Cristina Fernández de Kirchner não se comeveu com as reivindicações dos setores produtivos do país, que reivindicam um alívio nas taxas que foram impostas sobre os produtos exportados.
Primeiro, Cristina queria que houvesse um levatamento total dos bloqueios para que se desse a negociação. Depois mudou, aceitando um levantamento parcial, o que foi feito. Só que, os produtores esperavam alguma coisa de positivo por parte do governo, mas só ouviram retórica que, aliás, é marca dos Kirchner. Cristina veio com uma conversa mole de atender os pequenos produtores. Ora, o problema é dos grandes produtores, que estão tendo suas exportações taxadas em até 44%. Ou seja, o governo está ficando com quase a metade do que aufere o produtor. E é justamente contra esta ganância que se insurgiram. Como não vislumbraram solução, resolveram levar adiante o movimento, que está deixando as cidades desabastecidas. Há falta de carne, leite, verduras, frutas e derivados do trigo. Fator que, evidentemente, deverá determinar um aumento nos preços dos alimentos. E isto, por conseguinte, determinará aumento da inflação.
O governo de Cristina, assim como já fez seu marido Néstor, tenta controlar a inflação através do congelamento de preços e tabelamento de produtos. Algo que nós já vimos aqui nos anos 80 e sabemos no que deu. Ou seja, é tamanha a tacanhice do governo de Cristina, que não consegue nem se mirar no seu vizinho para ver o que foi feito em termos econômicos.
O resultado é que num país pujante como a Argentina, acaba faltando comida, por incompetência de seus dirigentes e, em última análise, de seus eleitores, que os elegeram.