No momento em que se desenvolve essa ação internacional, através de França, Suiça e Espanha, para tentar libertar Ingrid Betancourt, fica a expectativa sobre o desfecho desta negociação e sobre outras que possam vir a ser realizadas no futuro. A primeira evidência dessa ação é que o conflito colombiano extrapolou as fronteiras das Américas e ganhou o mundo. O aspecto desumano do tratamento dispensado pelas Farc aos sequestrados levaram a essa mobilização. Aliás, esses aspectos ficaram muito evidenciados pelas entrevistas dadas por Clara Rojas e Consuelo Ganzalez, as duas reféns libertadas em janeiro último. E se destacam mais ainda pelo fato da guerrilha manter pessoas sequestradadas por tanto tempo. Como Ingrid Betancourt,que está há seis anos em poder da guerrilha, ou o soldado Pablo Moncayo, sequestrado há 10 anos, quando tinha 18 anos de idade.
Os reféns se constituem ainda no grande trunfo em poder das Farc. Conforme disse a refém libertada, ex-deputada Consuelo González, qualquer tentativa por parte do governo de resgatar os reféns pela força, implicará na execução dos mesmos pelos seqüestradores. Então, a guerrilha sabia que as reféns libertadas iriam revelar os maus tratos aos seqüestrados. Mas iriam revelar também este dado de que os mesmos serão executados em caso uma operação militar de resgate.
Assim, cabe uma grande responsabilidade para o presidente colombiano Álvaro Uribe na maneira de agir. E pelo que se observa, tudo é questão de ter um pouco de flexibilidade. Como, por exemplo, aceitar o pedido da guerrilha de desmilitarizar uma área entre os municípios de Pradera e Florida, no Oeste da Colômbia. Uribe insiste em que essa área seja menor, o que parece uma exigência que só protela um acordo.
Há que considerar que tanto a Cruz Vermelha Internacional como a Conferência Episcopal da Colômbia tem agido como mediadores. Com toda essa mobilização agora de França, Suiça e Espanha, o presidente colombiano Álvaro Uribe fica na obrigada de abrir um canal de negociação com a narcoguerrilha.