O endurecimento de Cristina Kirchner no trato do conflito com os produtores rurais, causou a primeira grande baixa deseu governo. A saída do jovem ministro da Economia Martin Lousteau. Aliás, o mais jovem ministro da Economia que o país já teve. Saiu, justamente, porque vinhasendo criticado pela forma como vinha conduzindo o conflito com o setor agropecuário. Além disto, estava em rota de colisão com o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o encarregado de combater a inflação. A discordância do ministro que saiu pode ser medida pelas palavras da presidente Cristina Kirchner ao anunciar o sucessor, Carlos Fernandes. Disse ela: “pensa da mesma forma do que nós. E seguirá as regras centrais”.
Toda essa mudança, no entanto, está vista pela oposição como uma manobra do ex-presidente Néstor Kirchner, que passa a ganhar mais força. Como decorrência vê a oposição um enfraquecimento de Cristina. A líder da Coalizão Cívica, Elisa Carrió, que concorreu à presidência da República, foi dura na sua manifestação, dizendo que a manutenção de Moreno no Ministério do Interior contraria a vontade de Cristina. E que a designação do novo ministro da Economia, feita por Kirchner, é uma aposta na irracionalidade política e econômica.
Convenhamos que, se Kirchner está mandando mesmo no país, isto não constitui surpresa. Resta ver o que acontecerá com o movimento do produtores, que prometem retomar as paralizações a 2 de maio.