A situação na Bolívia agrava-se dia a dia. O estado de Santa Cruz tem plebiscito marcado para o próximo 4 de maio, para que a população se manifeste se apoia ou não a autonomia para o departamento. Na extensão dessa atitude, que desafia o governo central, o departamento deixou de colocação no sistema central de informações o seu movimento financeiro. Em represália, o governo de La Paz anunciou o congelamento dos repasses de recursos para o departamento.
Com a decisão, Santa Cruz deixará de receber semanalmente 100 milhões de bolívares, o que corresponde a cerca de 22,7 milhões de reais. O governo central, no entanto, deixou o caminho aberto para uma reversão, ao dizer que o repasse será reestabelecido tão logo o estado recoloque as informações no Sigma, que é o sistema nacional de informações.
Esta mesma atitude conciliadora o governo de Evo Morales não teve com relação ao movimento de autonomia do departamento, que está levando ao plebiscito. E não o fez porque o movimento está embasado nas atitudes do próprio governo. Santa Cruz já convocou a consulta popular num desafio ao governo central devido à Constituição que esse mesmo governo aprovou, graças à manobras escusas, que envolveram assembléias até em quartel de Sucre na calada da noite, para impedir a participação da oposição. E é justamente por se opor a essa Constituição e ao que o governo vez fazendo que quatro estados decidiram partir para a autonomia. Sim, quatro, porque o movimento nãoé só de Santa Cruz. É também de Pando, Beni e Tarija, justamente os quatro mais desenvolvidos do país.
Isto é o que dá o governo querem mudar a Constituição sem a participação da oposição.