Em dois encontros no ano passado, em Washington e em Brasília, os presidentes George Bush e Lula da Silva, consumaram uma aliança para promover o etanol em nível internacional. Estavam dando impulso a um combustível capaz de substituir o petróleo com enormes vantagens. Em pouco tempo, a alta dos alimentos que se estabeleceu no mundo começou a colocar em xeque o biocombustível produzido pelos dois países. O etanol ficou sob cerco mundial, o qual, não se pode ocultar, tem por trás a indústria do petróleo.
Mas o certo é que se estabelecem algumas diferenças substanciais entre o etanol que é produzido nos EUA e o do Brasil. Lá, é a partir do milho, já com o agravante de que se trata de um importante alimento e que é subsidiado. Estive pouco tempo atrás percorrendo os estados de Michigan e Illinois e por lá os agricultores estão eufóricos, pois o preço do milho subiu substancialmente. E a maior parte da sua produção está indo para o etanol. Os americanos já estão ocupando 4% de suas terras com o plantio do milho destinado ao etanol. Então, naquele país a produção é problemática. Diferentemente do Brasil, onde produzimos o etanol a partir da cana de açúcar, ocupando apenas 1% dos solos aráveis do país. Nossas áreas de plantio não avançam sobre zonas de plantações de alimentos tradicionais e nem tampouco sobre a Amazônia, mas sim sobre áreas degradadas de pastagens. Não concorrem, portanto, com a produção de alimentos. Além disto, um hectare de milho plantado rende 3 mil litros de etanol, enquanto que, na mesma área, chega-se a 7500 litros de etanol.
Como se observa a nossa produção é boa, mas a nossa parceria não.