Em um confronto pelas ruas de Bagdá, que durou mais de quatro horas, soldados americanos mataram ontem 34 milicianos ligados ao clérigo xiita Moqtada Al Sadr. O curioso nesse confronto é que os milicianos não respeitaram uma ordem de trégua do próprio Al Sadr, que esperava a interrupção das ações contra seus combatentes. O fato mostra o grau de radicalização que envolve o conflito do Iraque. Os fanáticos já não respeitam mais nem suas próprias lideranças.
Os radicais xiitas têm se constituído no principal obstáculo para a estabilização do país. Isto que o primeiro-ministro é um xiita. Mas os xiitas, historicamente, são um entrave para os governantes. Durante o governo de Saddam Hussein, que era apoiado pelos sunitas, os xiitas eram controlados pela força da ditadura. Agora, os EUA querem implantar a democracia no Iraque. Mas isto é algo estranho à realidade deles.
A propósito de governo de Saddam Hussein, um de seus homens de confiança está por ir a julgamento. Tariq Aziz foi chanceler, foi vice-primeiro-ministro e se constituiu no único cristão entre os assessores de Saddam. Lembro de te-lo entrevistado por ocasião da Rio-Eco-92. Falava na ocasião dos múltiplos negócios que o Iraque tinha com o Brasil. Vale lembrar que as nossas construtoras estavam presentes na implementação de estradas no Iraque e a Volkswagen brasileiro produziu um modelo de carro, especialmente para aquele país, que ganhou o nome de “Passat Iraquiano”. Não poderia imaginar na ocasião que aquele homem simpático e bem falante viria a ser preso e enfrentar um julgamento que, como o de seus antecessores, poderá levá-lo à morte.
Esta é mais uma das múltiplas contradições deste país chamado Iraque.