Em meio à catástrofe que se abateu sobre Mianmar, decorrente do ciclone tropical, é interessante se falar um pouco desse país, tão distante e desconhecido pelos latino-americanos. Um país que tem duas peculiaridades: é conhecido como a terra dos templos, mas também como o maior produtor mundial de ópio.
Além do mais, essa república da Ásia, situada entre a Índia e a China, que antes se chamava Birmânia, passa por uma situação semelhante a que vivemos aqui na América Latina nas décadas de 60 e de 70. Está de 1988 sob uma ditadura militar. Todos os protestos civis em busca de democracia tem sido reprimidos pela força. Nos últimos dias, no entanto, esses protestos ganharam uma conotação diferente, pois os monjes budistas é que foram para as ruas protestar. Em função disto, se tornou mais difícil a ação repressiva. Porém, como a população resolveu se juntar ao protestos dos monjes, o governo militar entendeu que podia mandar baixar o pau. Que é o que fez, por exemplo, em setembro do ano passado. Mais de 200 monjes foram presos.
Os protestos começaram pelas questões econômicas, mas acabaram, inevitavelmente, ganhando conotação política. Uma das figuras chave dos movimentos de contestação à junta militar, é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kiy. Só que, dos últimos 18 anos, 11 ela passou na prisão. Ainda nesse mais recente protesto, depois de ter apoiado o movimento dos monjes, ela foi transferida da prisão domiciliar para o presídio de Insein.
Os protestos internacionais tem partido dos EUA e de países da Europa. Mas, ali, ao lado, tem um gigante que não se preocupa muito com esta questão de democracia, a China. Assim, pelo que se observa, ainda levará algum tempo para que os cidadãos de Mianmar conquistem a democracia. Se é que vão conquistar. Ainda mais agora, que têm que se preocupar é com a recuperação dessa tragédia.