Hoje tem troca de comando na Rússia. Vladimir Putin está passando a presidência para Dmitri Medvedev, que, aos 42 anos, se torna o mais jovem líder russo desde o czar Nicolau II, que subiu ao trono em 1894 e foi deposto e executado pela revolução de 1917. Um jovem no governo é algo que se contrapõe ao tempos da União Soviética, em que predominava a gerontocracia. Também se contrapõe aos tempos soviéticos o fato de Putin deixar o poder por ter terminado o seu período de mandato. E não por sair à força ou num caixão. Enfim, são os novos tempos democráticos que vive a Rússia.
Mas tudo não é assim tão cor de rosa. A começar pela questão relativa à troca de comando. Putin deixa a presidência mas vai assumir como primeiro-ministro. E é aí que reside a grande interrogação. A constituição russa de 1993 estabeleceu um sistema de governo semipresidencialista, semelhante ao francês, com as figuras do presidente e do primeiro-ministro. Ficando o presidente como chefe de Estado, controlando a Defesa e as Relações Exteriores. E ainda indicando o primeiro-ministro, cujo nome precisa ser aprovado pelo Parlamento. Ao primeiro-ministro cabe a chefia do governo, ficando responsável pelas políticas internas do país no dia-a-dia. No entanto, pela tradição histórica de autoritarismo do país e pela figura também autoritária de Putin, o poder ficou todo concentrado na presidência.
A especulação é de que Putin siga usando seu autoritarismo e faça valer o que diz a Constituição e que não foi colocado em prática. Tornando-se com isto um chefe de governo de fato, ficando Medvedev com as funções cerimoniais de chefe de Estado. Esta é um hipótese bem possível. E explica o fato de Putin não aceitar mudar a constituição para ter um terceiro mandato na presidência.