Tão pródigo em conflitos, o Oriente Médio, finalmente, nos envia uma notícia que fala em paz. Pelo menos em perspectiva de paz entre dois inimigos tradicionais: Israel e Síria. Ao longo dos 60 anos da existência de Israel esses dois países travaram quatro guerras, 1948, 1956, 1967 e 1973. Ainda recentemente, em 6 de setembro do ano passado, a aviação israelense realizou uma incursão em território sírio, bombardeando o que seria o embrião de uma usina nuclear, que estaria sendo construída com o apoio da Coréia do Norte. Não houve reação por parte da Síria. Assim como também não houvera qualquer reação do Iraque quando Israel bombardeou o seu reator nuclear, em 1981.
Depois do fracasso nas quatro guerras que travaram contra Israel, os árabes não ousaram mais sequer fazer um contra-ataque. E foi numa dessas guerras, na de 1967, que Israel tomou da Síria as Colinas de Golã. Pois este território é o objeto da presente negociação entre os dois países e que está sendo realizada sob a mediação da Turquia. Israel teria concordado em entregar a estratégica região em troca da paz.
O fato demonstra uma mudança substancial no posicionamento do governo israelense, que se negava sempre a devolver o território. De qualquer forma, em assim sendo, o fato deve ser saudado pelo possibilidade ampla que se abre para um acordo, justo com um dos países com quem os EUA tem mais bronca.