Quando falei, na segunda-feira, que Alfonso Cano estava assumindo o comando das Farc, disse que contra havia 47 ordens de captura e uma circular vermelha da Interpol (Organização Internacional da Polícia Criminal) sob acusações de rebelião, terrorismo, homicídio e seqüestro. Pois, desde ontem ele soma mais duas condenações ao seu currículo. Um juiz colombiano da cidade de Villavicencio o condenou nesta terça-feira, à revelia, a 40 anos de prisão, pelo fuzilamento de um número ainda não especificado de guerrilheiros dissidentes.
Cano, cujo verdadeiro nome é Guillermo Leon Sáenz, foi condenado pelo delito de homicídio com agravantes, pois segundo a Promotoria, foi responsável por tortura e fuzilamento de 40 rebeldes encontrados em 11 fossas em uma zona rural do município de Uribe, em abril de 1991. Segundo testemunhos recolhidos pela Promotoria, Cano teria dado a ordem de “castigar” os guerrilheiros dissidentes cujos corpos foram encontrados pela comissão judicial. Ele também teria, segundo as fontes, chegado a um acampamento e ordenado a um grupo de rebeldes que fuzilassem os dissidentes em frente a seus companheiros.
Pois, ainda ontem também, o Tribunal Superior de Antioquia condenou Cano e o recém falecido fundador das Farc Mario Marulanda, cujo verdadeiro nome é Pedro Antônio Marín, pelo seqüestro e posterior homicídio do ex-governador do departamento de Antioquia Guillermo Gaviria, e seu assessor Gilberto Echeverri Mejía, fato ocorrido em maio de 2003. Neste caso, o tribunal apenas confirmou uma sentença que em primeira instância havia sido imposta à dupla.
Como se observa, o novo dirigente das Farc chega ao posto com um currículo “maravilhoso”. E aí é de se perguntar: com tudo isto, ele vai ter condições de desenvolver um diálogo com o governo colombiano, conforme todo o mundo está projetando? É difícil, pois começa que, ao ser encontrado, por lei, ele já terá que ir direto para a cadeira. A não ser que lhe seja concedido uma espécie de salvo conduto para negociar!