A medida em que se reaproxima de casa, no retorno de sua visita pela América Latina, o tema predominante do presidente Bush passa a ser o da imigração. Que é o maior problema que ele tem com os seus vizinhos. O tema, aliás, causou um certo mal estar ontem na Guatemala. Da população de 12 milhões de habitantes daquele país centro-americano, 10% vivem nos EUA. O governo guatemalteco não tem muito interesse na repatriação, porque o dinheiro que eles mandam para o país é vital. No ano passado, mandaram três bilhões e 600 milhões de dólares, o que representou o terceiro maior ingresso no país, ou 14% do PIB. É um enorme paliativo para a pobreza.
Sessenta por cento dos guatemaltecos que vivem nos EUA são ilegais. Em 2006, 20 mil foram mandados de volta. O presidente Óscar Berger pediu a Bush que fosse condescendente com os imigrantes. Ao que o presidente americano, com sua sutileza peculiar, simplesmente respondeu: “os que quebrarem a lei serão presos. Não importa se guatemaltecos ou não”. Diplomacia, como se percebe, nem para inglês ver.
O tema imigração ganha mais força hoje no México, porque Bush está construindo um enorme muro de contenção na fronteira entre os dois países. A fronteira dos EUA com o México, de 3.200 km, já tem separações físicas marcantes. Na Califórnia já existe uma barreira de 112 km, que separa fundamentalmente as cidades de San Diego e Tijuana. Uma barreira que se estende mar adentro. Em maio do ano passado, o Senado americano aprovou a construção de mais 595 km de cerca de três camadas, na fronteira entre os dois países. Também foi aprovada a criação de barreiras para veículos espalhadas por 805 quilômetros da fronteira.
É em meio a essas providências que Bush chega ao México. Como se vê, é difícil estabelecer uma aproximação entre dois países com tantas barreiras assim.