A Europa está tentando assimilar o “não” irlandês ao Tratado de Lisboa, que é a versão reformulada da Constituição da União Européia, que foi rejeitada pelos franceses e pelos holandeses, em plebiscitos de 2005. O novo dispositivo foi elaborado para reger a partir de janeiro o bloco europeu. Mas precisa ser aprovado pelos 27 países que compõem o bloco. Já foi aprovado por 18. Como a Irlanda é o único país que precisa a ratificação pelo voto popular, Alemanha e França trabalham no sentido de buscar a aprovação dos demais oito países, de forma imediata, para só então discutir o caso irlandês. Procurariam criar uma situação em que o bloco não pudesse ficar refém de um único país.
Basicamente, segundo Gideon Rachman, do “Financial Times”, o chamado Tratado de Lisboa busca facilitar a aprovação de novas leis da UE, ao aumentar o número de leis decidas pelo voto majoritário dos países membros e dificultar a formação de minorias capazes de bloqueá-las. Se e quando entrar em vigor, ele tornará a UE mais eficiente. Mas também a fará ser menos democrática.
Outro aspecto que trás é o fortalecimento da Europa como uma entidade única, ao criar a figura de um ministro do Exterior europeu e um serviço diplomático europeu. Assim, seguramente, que se os oito que faltam aprovarem o tratado, não será a Irlanda sozinha que irá derrubá-lo.