O Oriente Médio vive de incoerências. Especialmente, as relações entre israelenses e palestinos. Basta acompanhar os últimos acontecimentos. Que, aliás, são uma repetição de fatos anteriores. E mostram que a intolerância é que predomina na região.
Há cinco dias foi estabelecido um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo radical palestino Hamas, que tem o domínio da Faixa de Gaza. Pelo acordo, os palestinos não lançariam mais foguetes contra Israel e Israel, por sua vez, não atacaria Gaza e levantaria o bloqueio estabelecido sobre aquela área. O acordo foi estabelecido para vigorar por seis meses. Na ocasião ainda se estabeleceu a dúvida sobre sua duração. Pois foi efêmera. Hoje, dois foguetes foram lançados da Faixa de Gaza contra território israelense, numa violação ao acordo. Indagado sobre o fato, o porta-voz do Jihad Islâmico, que assumiu a autoria do atentado, disse que foi em represália pelo fato de Israel ter atacado um dirigente do Hamas, não na Faixa de Gaza, mas na Cisjordânia. Ou seja, Israel levou o acordo na acepção da palavra. Mas é lógico que, ao atacar um dirigente do Hamas, embora não sendo na Faixa de Gaza, está atacando um representante do grupo com o qual estabeleceu uma trégua. O que não parece condizente, nem tampouco favorece a paz. Tanto que houve a reação palestina.
Assim, em meio a essas incoerências, fica difícil a tão sonhada convivência entre o Estado de Israel um Estado Palestino. Aliás, isto fica cada vez mais para a utopia.