O Tribunal Penal Internacional é um organismo sediado em Haia, na Holanda, criado em julho de 2002, com a finalidade de ser uma corte mundial de justiça. A intenção, ao criá-lo foi a de centralizar em um só organismo todas as pendengas internacionais, que vão desde os massacres na Bósnia até os crimes praticados pelo general Pinochet.
Dois presidentes já foram levados às raias do Tribunal, Slobodan Milosevic, da ex-Íugoslávia, que não teve o seu julgamento finalizado, pois morreu na prisão em 2006. E Charles Taylor, da Libéria, que está sendo julgado atualmente.
Agora, o Tribunal indicia o presidente do Sudão Omar Al-Bashir, por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio em Darfur. Sabe-se que Al-Bashir tenta impor um sistema islâmico no Sudão, que é dividido entre cristãos e muçulmanos. Sabe-se também que já fez um massacre em Darfur e há cerca de 2 milhões e meio de pessoas ameaçadas por suas ações.
Tudo isto justifica plenamente um julgamento por um tribunal internacional. O problema, no entanto, está na credibilidade da Corte. Não que o TPI não seja crível. O problema é sua abrangência. Ele funciona só para países pobres. A maior potência do planeta, EUA, não ratificou o tratado que constituiu o Tribunal. Assim, manobrou para que Saddam Hussein não fosse julgado pelo TPI, mas por um tribunal interno do Iraque, composto por antigos inimigos do ditador. Não que ele não devesse ser condenado. Devia sim. Mas por um tribunal isento.
E outra questão: ao invadir um país soberano, sem autorização da ONU, tendo provocado destruiçãoe morte de cerca de 200 mil pessoas, o presidente George Bush não deveria também ser levado a um tribunal internacional? Claro, mas foi justamente por isto que não ratificaram o tratado. E por isto também que não há credibilidade para o julgamento do presidente do Sudão.