O novo governo palestino de coalizão já conseguiu dois avanços importantes no sentido de retomar a ajuda externa, apesar de um de seus grupos integrantes, o Hamas, ter se mantido na decisão de não reconhecer a existência de Israel. O primeiro ponto partiu da Noruega, que se tornou o primeiro país a romper as sanções impostas aos palestinos. Vale lembrar que, desde que o Hamas saiu-se vitorioso nas eleições legislativas de fevereiro de 2006, a Autoridade Nacional Palestina não recebia mais ajuda externa, que é fundamental para manter funcionando sua máquina administrativa. Pois o vice-chanceler norueguês, Raymond Johansen, foi a Gaza encontrar-se com o premiê palestino Ismail Haniyeh, para comunicar que seu país retomava a ajuda financeira. Não se pode esquecer que a Noruega tem desempenhado um papel importante na questão israelense-palestina, tendo inclusive sediado, em 1993, o encontro que resultou no acordo de paz, então firmado entre Yasser Arafat e Yitzhak Rabin.
O outro ponto a favor dos palestinos foi marcado pelo principal agente para um processo de paz: o governo do EUA. O cônsul norte-americano em Jeruslám, Jacob Walles, reuniu-se com o ministro das finanças palestino Salaam Fayad. O fato é significativo, porque os EUA sempre atenderam a vontade política de Israel. E o governo israelense já dissera que não negociaria com o atual governo palestino. Esse contato do cônsul americano representa uma ruptura na ligação umbilical e um indicativo de que os EUA vão levar adiante uma política própria para a região. O que pode ser um jogo para melhorar a sua imagem em meio ao mundo árabe, tão desgastada pela guerra no Iraque.