Procurando se refazer da derrota no Senado, a presidente Cristina Kirchner tenta retomar hoje o governo, depois de ter corrido boato até de sua possível renúncia. Durante o fim de semana traçou estratégias com seu novo secretário de governo, Sérgio Massa, com vistas a tentar reconquistar sua popularidade, que despencou de 58% de aprovação no início do ano para 20% agora. Para isto, acena com aumento do salário mínimo e também para aposentados. O mínimo, que é de 980 pesos, passaria a 1.200 pesos. Ou seja, de cerca de 490 reais para 600 reais.
Cristina também está disposta a buscar um melhor relacionamento com a imprensa e com os governadores de províncias, seus maiores críticos durante os quatro meses em que bateu de frente com os produtores rurais. Massa entende que o momento requer ações que sejam consenso e que passem pela aprovação do Congresso, tirando aquele viés autoritário que predominou até agora.
Dois problemas, no entanto, Cristina terá pela frente. Um será enfrentar as manifestações de apoio que por certo acontecerão para o vice-presidente Julio Cobos, que está retornando à capital, após um auto-exílio no interior na seqüência de sua histórica decisão no Senado. Outro, será Cristina governar de acordo com a sua vontade, porque até agora ela só fez o que era vontade de seu marido Néstor Kirchner.