O fracasso da chamada Rodada Doha, que discute o comércio internacional, não surpreende. Afinal, essa negociação não começou em 2001 no Catar, mas em 1973, em Punta del Este, com a Rodada Uruguai. Essa negociação envolve 35 países. De um lado, os ricos, industrializados. De outro, os em desenvolvimento, ou agrícolas. Os ricos querem acesso aos mercados de bens e serviços nos países em desenvolvimento. Estes, querem mais espaço para os produtos agrícolas nos países ricos.
Ocorre que os ricos gastam cerca de um bilhão de dólares ao dia em subsídios aos seus agricultores. A exigência dos países em desenvolvimento para abrirem seus mercados aos bens e serviços dos ricos é de que esses reduzam os subsídios. E um acerto parcial chegou a ocorrer agora em Genebra. Acerto que teve a aprovação até do Brasil. Os ricos impuseram os chamados mecanismos de salvaguarda, o que significa que poderiam voltar a subir as tarifas quando percebessem um aumento excessivo nas importações.
Lógico, que um critério subjetivo. Mas o Brasil aceitou o risco, porém, não foi acompanhado por outros como Índia e China, o que levou ao fracasso da reunião.