A abertura nesta sexta-feira dos Jogos Olímpicos em Pequim, reunindo não só um número expressivo de atletas de primeira linha, como também um significativo contingente de chefes de governo ou de estado, deixa o temor com relação aos atos terroristas. Ainda mais que, a quatro dias de começar os jogos, houve um atentado de proporções em Xinjiang, região muçulmana do noroeste do país, que deixou um saldo de 16 policiais mortos e 20 feridos. Vale lembrar que uma semana antes aconteceu um outro atentado contra um ônibus, no sul do país.
Assim é que, se já havia um grande controle sobre as questões de segurança, os fatos determinaram um significativo aumento na ação dos organismos de segurança. Ao mesmo tempo em que isto acontece, crescem as denúncias de que o governo chinês se vale desses aspectos para aumentar a repressão aos dissidentes do regime e aos separatistas. O governo chinês alegou que os atos de terror praticados pelos grupos independentistas tiveram o apoio de terroristas da Al Qaeda. O curioso é que o presidente americano George Bush, que fez uma dura crítica à violação dos direitos humanos na China, pouco antes de chegar ao país, concordou com a alegação do governo chinês.
O atentado de Xinjiang ocorreu a 4 mil quilômetros de onde são realizados os Jogos Olímpicos, mas serviu para levar as autoridades chinesas a reforçar a segurança em Pequim. Afinal, o governo chinês, sob a sua ótica, está matando dois coelhos com uma só cajadada. Em nome da proteção aos Jogos Olímpicos, endurece na repressão contra os opositores ao regime e contra os separatistas.