As pesquisas indicam que todos saíram vencedores no plebiscito deste domingo na Bolívia. O povo ratificou em seus cargos o presidente Evo Morales, o vice-presidente e os governadores dos nove estados, inclusive dos quatro que haviam votado pela autonomia. Mas é uma vitória em termos, porque os problemas do país não se alteram, tendo em vista que nenhum dos agentes que colocaram seu mandato em jogo conseguiu respaldo maior ou menor do que já tinha.
Ou seja, o país teve todo o desgaste de um plebiscito e a situação continua na mesma. O que falta é diálogo. Falta Morales sentar-se a uma mesa de negociação com os governadores dos quatro estados que votaram por autonomia e buscar uma forma que concilie os interesses federais e estaduais. Conforme disse o ex-presidente Carlos Mesa, “enquanto não houver vontade genuína de dialogar nada adianta”. Mesa fala baseado na sua experiência de ter que renunciar ao cargo em 2005, acusando as duas pontas do país de não o deixarem governar. E, pelo que se observa, a situação até agora não se alterou. E a tendência será as divergências se aguçarem, pela forma diferenciada de conduzir os negócios do país que tem Morales e os governadores de oposição.