A pequena Geórgia cometeu uma série de equívocos ao deflagrar a invasão da província rebelde da Ossétia do Sul. Em primeiro lugar, não dimensinou a reação da Rússia, a qual, diga-se de passagem, foi desproporcional ao ocorrido. Em segundo, por estar namorando seu ingresso na OTAN, acreditou que receberia o apoio da Aliança Atlântica para combater os russos. O presidente Mikhail Saakashvili não se deu conta de que na reunião de junho último, na Bélgica, o ingresso da Geórgia na OTAN foi vetado, justamente pelo fato de o país ter situações territoriais não resolvidas nâo só na Ossétia do Sul como também da Abkhásia. As duas províncias tem população majoritariamente russa e querem se tornar independentes ou se juntar à Rússia.
Tendo cometido esta série de erros Saakashvili viu a Rússia invadir não só a província rebelde, mas também a própria Geórgia. Acabou ficando tão mal na parada que foi forçado pelo Ocidente a assinar um acordo de cessar-fogo com a Rússia, totalmente desfavorável. O texto dá aos russos a possibilidade de patrulhar dentro da Geórgia, 10 quilômetros da divisa da Abkhásia e da Ossétia do Sul. Ou seja, autoriza as forças russas a ficar em território da Geórgia. E mais, o documento não fala nada sobre a integridade territorial georgiana. Com o que se deduz que, muito em breve, deverá perder suas duas províncias.