Devido ao conflito com a Geórgia, a visão profundamente cética da primeira-ministra alemã Angela Merkel com relação à política externa russa passou a ganhar força sobre as antigas esperanças de outros políticos alemães e europeus de um relacionamento especial com o Kremlin. Isto está criando nas capitais européias uma nova visão crítica que vê a Rússia mais como um problema do que como um parceiro.
Durante anos a UE se dividiu entre membros fundadores, como Alemanha, França e Itália, que queriam boas relações com a Rússia,e novos membros da Europa Central e do Leste que viam a Rússia como uma ameaça. Ainda há grandes questões sobre o que a Alemanha e a Europa podem fazer para domar uma Rússia fortalecida por suas riquezas de petróleo e gás natural e determinada a reconquistar parte da influência geopolítica que perdeu depois do colapso da União Soviética. Mas o novo realismo está substituindo o idealismo da Europa pós-Guerra Fria quanto à incorporação da Rússia como um membro pleno da família.
Todavia, o lobby empresarial alemão se opõe a medidas políticas que possam irritar a Rússia. A economia alemã depende bastante de exportações, que correspondem a 47% do PIB, e a Rússia é um dos mercados de mais rápido crescimento para as empresas alemãs. A Alemanha também obtém 37% de seu gás natural e 31% de seu petróleo da Rússia.
E como diz o porta-voz de Merkel, Thomas Steg, o objetivo não é isolar a Rússia, pois autoridades alemãs precisam do apoio russo para questões cruciais como o programa nuclear do Irã ou o acordo pós-Kyoto sobre aquecimento global, Assim é que o endurecimento com a Rússia fica mais para efeitos de mídia.