Três semanas após terem se encontrado aqui no Brasil, Lula e Bush tem novo encontro, agora nos EUA. Mais especificamente, na casa de campo do presidente americano em Camp David. O que é uma deferência especial para o presidente brasileiro. Há 16 anos que um dirigente latino-americano não é recebido naquele local.
Quem diria, não é? Mas o fato é que Lula se tornou um dirigente latino-americano altamente conceituado. Enquanto Hugo Chávez conquistou as massas com o seu proselitismo, Lula granjeou a respeitabilidade dos dirigentes e dos organismos internacionais. Não só por sua postura política, mas também pelos princípios econômicos aplicados. Ta certo que Lula tem lá os seus escorregões paternalistas também, como o bolsa família. Mas a estabilidade econômica do Brasil é o seu maior trunfo. Estamos com inflação sob controle, com uma moeda forte e, mesmo assim, com saldo positivo na balança comercial, além de sólidas reservas cambiais. E agora, depois da revisão do IBGE, estamos com um PIB que já começa a dar sinais de crescimento.
Soma-se a tudo isto, o pioneirismo e a competência na produção do álcool combustível, mote principal das negociações com os EUA. É claro que o tema estará na pauta dos dois presidentes. É claro que Lula irá pedir a eliminação das taxas impostas ao nosso etanol. E também se torna claro que Bush irá negar essa redução.
Mas, então, é de se perguntar, para que o encontro? Para sedimentar a parceria com vistas aos negócios que se abrem para o mundo e à decisão sobre o levantamento dessa taxação que será tomada pelos EUA, não agora, mas logo ali adiante.