Hoje, finalmente, deve começar o diálogo entre o presidente da Bolívia Evo Morales e os governadores dos departamentos que aprovaram em plebiscito a sua autonomia. Diálogo que deverá ter a intermediação de representantes da Unasul, da União Européia e da ONU. Sem contar ainda que poderá ter representantes das Igrejas Católica, Evangélica e Metodista.
Os ânimos ainda estão exaltados na Bolívia e há gente fugindo para o Brasil, para escapar da violência,especialmente no departamento de Pando. Mas, o fundamental, é que se estabelece o diálogo, algo que vinha faltando na Bolívia. O presidente Evo Morales não teve capacidade para negociar com os governadores. Ou, não quis abrir mão do que o governo central aufere com os hidrocarbonetos. Sim, porque o que os governadores queriam era uma maior participação nos royalties no gás e do petróleo, que são extraídos de seus estados. Algo, por exemplo, conforme acontece no Brasil com o estado do Rio de Janeiro,em função da Bacia de Campos. E este aspecto, seguramente, terá que ser levado em consideração nas conversações que iniciam hoje.
Vale salientar ainda a força da unidade sul-americana, pois foi graças à ação rápida da Unasul que a crise boliviana estancou. Assim, o sucesso ou o fracasso da crise boliviana representará igualmente o sucesso ou o fracasso da Unasul.