Imagine-se o pavor de quem estava no Hotel Marriott, em Islamabad, no Paquistão, que foi detonado por 600 quilos de explosivos de alta qualidade, levados por um caminhão-bomba. As cifras são apavorantes: mais de 50 mortos, e mais de 260 feridos. O hotel, que tem 290 apartamentos, é frequentado basicamente por extrangeiros.
A autoria do atentado não pode ser outra senão da Al Qaeda. E a ação deve ser em represália à caça que os EUA estão fazendo à organização em território do Paquistão. E aí vem mais uma vez aquela questão chave que tenho colocado sempre. Ou seja, o fato de, depois do 11 de setembro, os EUA terem iniciado a caçada a Bin Laden e aos terroristas Al Qaeda no Afeganistão e não terem terminado o serviço, resolvendo se deslocar para o Iraque. Quando desfecharam o seu ataque no Afeganistão, em 2002, os norte-americanos conseguiram tirar o retrógrado regime do Talibã do poder. Obrigaram os milicianos talibãs e os terroristas da Al Qaeda a baterem em retirada para as montanhas do Sul do país.
E aí que veio o grande problema. Ao invés de seguir adiante na caça e aniquilar os grupos terroristas, o governo Bush resolveu deixar o Afeganistão de lado para atacar o Iraque. O resultado, é que o Talibã e Al Qaeda, com isto, conseguiram se reestruturar e ampliar a sua atuação. Passaram a ter presença onde não tinham: no Iraque e no Paquistão. E só há pouco o governo Bush se deu conta disto. Voltou a atacar os terroristas no Afeganistão e no Paquistão, só que, com contingentes insuficientes. Porque a maior parte de suas forças está atolada no Iraque.
E assim, se não houver uma ação maciça naqueles dois países, fatos lamentáveis com o do Hotel Merriott voltarão a acontecer.