O presidente Lula vai ter que administrar uma crise que surge com um dos governantes que tem a sua simpatia na América Latina: o equatoriano Rafael Correa. E não é uma crise pequena. Envolve uma das maiores construtoras brasileiras, a Odebrecht, e quatro cidadãos brasileiros, funcionários da mesma empresa, que estão impedidos de deixar o Equador.
O episódio está relacionado às obras da hidrelétrica de São Francisco, realizadas pela Odebrecht. Localizada na região central do Equador, a usina é responsável por 12% da produção total de energia do país. Foi inaugurada há 14 meses, mas deixou de funcionar em junho, devido ao desgaste prematuro das rodas d´água das turbinas e ao desabamento parcial do túnel por onde passa a água. A Odebrecht havia se comprometido a resolver os dois problemas e recolocar a usina em funcionamento até 4 de outubro. No entanto, não houve acordo sobre a indenização que o governo equatoriano estava cobrando sobre os lucros cessantes. A empresa não aceitou a cobrança porque isto não constava do contrato.
Daí o impasse que levou Correa a militarizar a usina, intervindo também em outras quatro obras da Odebrecht no país. Além de impedir a saída dos funcionários. Como se vê, uma crise nada agradável para Lula administrar.