A crise que se abateu sobre a economia internacional está servindo para o presidente Lula se projetar no cenário internacional, como quem dá as cartas para a reordenação mundial. Seu primeiro pronunciamento incisivo sobre a crise foi aqui no Rio Grande, ao inaugurar a plataforma p-53, quando debochou do que chamou de “bancos palpiteiros”. Que viviam dando palpite na economia brasileira e que agora estão à beira da crise, enquanto que a economia brasileira vai muito bem, obrigado. Depois disto, fez uma crítica direta ao presidente Bush, dizendo que o mesmo deveria ter tomado a medida de socorro aos bancos seis meses atrás. Que, se tivesse feito isto, a crise não teria atingido as proporções a que chegou.
E o destaque maior, evidentemente, ficou para ontem, ao fazer uso da prerrogativa que é concedida ao Brasil desde que foi criada a ONU, em 1948, ou seja, fazer o discurso de abertura da Assembléia Geral da organização. De tudo que Lula falou, duas coisas merecem relevância. A sua crítica à ausência de regras que disciplinem o “cassino global”. Sim, porque a crise só chegou ao ponto de estourar porque os apostadores foram além de seus limites. Colocaram em jogo o que não possuíam. E outra, que a solução para a crise precisa ser política. Sim, basta ver que só surgiu a luz no fim do túnel com a decisão do governo dos EUA e o conseqüente aval do parlamento do país.
Em suma, não bastasse o cenário interno que lhe é altamente favorável, Lula consegue ainda dar a letra na maior assembléia do mundo.