O ganhador do Prêmio Nobel da Paz, o ex-presidente da Finlândia Martti Athisaari, é um líder que tem um histórico de mais de 30 anos em defesa da paz, tendo se destacado como mediador de conflitos. Porém, o que lhe deu maior notoriedade foi o relativo à Kosovo. Seguramente, porque o conflito que envolveu o território do que era uma província da ex-Iugoslávia ocorreu em pleno final do século 21, em plena Europa dita civilizada, trazendo de volta algumas coisas que se supunha haviam sido sepultadas com a Segunda Guerra Mundial, como campos de concentração e extermínio racial.
A mediação de Athisaari foi fundamental para um acordo na região, mas é preciso ressaltar que o estabelecido no documento só foi mantido pela intervenção das forças da Otan que, diga-se de passagem, estão até hoje na região. Ou seja, mais de 10 anos depois de terminado o conflito.
Há que salientar ainda que, ao conceder o Prêmio da Paz para um finlandês, o Comitê do Nobel escapou do constrangimento de ter que cutucar os governos da China ou da Rússia. Isto porque, este ano comemora-se o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dissidentes e mlitantes chineses e russos estavam concorrendo ao prêmio.
Assim, não deixa de haver uma avaliação política na concessão do prêmio.