A decisão do Irã de libertar, nesta quarta-feira, os 15 marinheiros ingleses detidos a 23 de março vem demonstrar, no mínimo, um gesto de distensão por parte do governo de Mahmoud Ahmadinejad. Seguisse ele com os marinheiros detidos, estaria dando força para aqueles que, como o presidente Bush, querem atacar o Irã. Ahmadinejad já está numa forte pressão da comunidade internacional em função de seu programa nuclear. A detenção dos marinheiros só fez aumentar a tensão. Muito embora não tenha ficado claro quem tem culpa no episódio. Se o Irã, que prendeu ingleses em águas territoriais do Iraque, ou os ingleses, que estariam navegando em águas iranianas.
De qualquer forma, Ahmadinejad está se aproveitando do episódio para cantar vitória. Mas é preciso salientar que a solução desse conflito passou pela Síria, onde se encontra hoje a presidente da Câmara dos Representes dos EUA Nancy Pelosi. Embora todas as críticas do presidente Bush à sua viagem à Síria, não se pode esquecer que esse país é uma das chaves para a solução dos problemas do Oriente Médio. Assim como também o é o Irã. Aliás, essa foi uma conclusão a que chegou a comissão liderada pelo ex-secretário de Estado James Baker, encarregada de buscar uma solução para o problema do Iraque. Como se vê, bastou Pelosi acionar um dos agentes da região para conseguir resolver um problema entre Inglaterra eira que tendia a se agravar. Quem sabe, na extensão, possa ter início uma solução para o Iraque.
Assim, Nancy Pelosi, que é a segunda na linha sucessório norte-americana, está sendo prática. Indo direto ao foco da questão. Outro aspecto que envolve a solução para o Iraque, também definido pela comissão liderada por Baker é a que envolve israelenses e palestinos. A nova estratégia dos EUA para o Iraque, que está sendo traçada pela comissão, pode representar concessões a serem feitas por Israel aos palestinos. Soube-se que, para alcançar o apoio que os EUA precisam dos países árabes para constituir uma força pan-árabe para atuar no Iraque, será necessário, no mínimo, amenizar os problemas que enfrentam atualmente os palestinos. E este trabalho de linha de frente no Oriente Médio está sendo feito pelo rei Abdullah, da Arábia Saudita. Trabalho que se soma agora à ação de Pelosi, embora a manifesta contrariedade de Bush.