Apesar de ser um plantador de origem, Evo Morales não se dá conta de que a gente colhe o que plantou. Como ele plantou um enfrentamento com os EUA, está começando a aparecer o resultado do que tem para a colheita: perda de dinheiro para a Bolívia e, em conseqüência, aumento do desemprego.
Vamos aos fatos. Há 17 anos, os EUA desenvolvem na América Latina um programa de combate às drogas. Trata-se de um acordo tarifário, que atende pela sigla em inglês de Atpda, que envolve Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Os Estados Unidos oferecem tarifas reduzidas para produtos importados desses países, o que foi uma forma de estimular a criação de empregos em outros setores que não o da coca. Produto que encontra na região Andina a sua maior produção.
A contrapartida exigida pelo governo americano é o cumprimento de 12 recomendações feitas pela DEA (Drug Enforcement Administration), o órgão americano de repressão às drogas. Em setembro, o governo americano já fizera uma advertência à Bolívia, tendo em vista a observação feita por um dos diretores da DEA, Bradley Hittle, de que a Bolívia havia adotado apenas uma das recomendações.
Nesse meio tempo, o que fez Evo Morales? Ao invés de atentar para o cumprimento das recomendações, expulsou o embaixador americano do país, Philip Goldberg, sob a acusação de que estava apoiando setores de oposição, na discussão sobre a nova Constituição para o país.
Será que, com tudo isto, ele ainda esperava receber um doce de George Bush? O que recebeu foi o comunicado feito a partir do anúncio da secretária de Estado Condoleezza Rice de suspensão do acordo. Fato que pode causar o corte de 20 mil a 30 mil empregos no país, segundo estimativas do próprio governo boliviano.
Este é o resultado da plantação de Morales.