Enquanto o nosso Banco Central decidiu esta semana manter os juros em 13,75%, nos EUA o Federal Reserve baixou os juros para 1%, buscando evitar que a economia americana, que está em queda, entre em recessão. O juro quase inexistente, visa incentivar o consumo. Acontece que durante dois anos depois que os preços das moradias começaram a cair e um ano depois que o estouro daquela bolha se transformou numa crise financeira, os consumidores perseveraram. Mês após mês, os seus gastos, sustentáculo da economia, continuaram aumentando. Mas agora, pela primeira vez em 17 anos, os consumidores apertaram o cinto.
Alguns fatores foram determinantes para isto. A diminuição no crescimento da renda da classe média, o crédito mais escasso e a perda de patrimônio. O resultado é um princípio de recessão, que ninguém consegue avaliar, segundo o colunista da Bloomberg News, John Berry.
Uma das alternativas que está sendo estudada para incentivar o consumo é a aprovação pelo Congresso de um pacote de estímulo fiscal, ampliando a verba de 168 bilhões. Aprovada em fevereiro, a medida estimulou a devolução do imposto de renda para a maioria dos contribuintes. O único problema desta medida é que, na contrapartida, ela tira dinheiro do governo, que é quem está bancando a crise financeira.
Alguns estados estão querendo aproveitar o envio do pacote ao Congresso para incluir um pedido de ajuda. Só para se ter uma idéia do tamanho da crise, basta acompanhar a situação do poderoso estado de Nova York. Segundo o governador David Peterson, o déficit orçamentário do estado deve saltar de 1,5 bilhão de dólares no atual ano fiscal para 12,5 bilhões do seguinte, que começa a 1° de abril de 2009. Ele previu ainda que 160 mil trabalhadores perderão seus empregos no estado.
Por aí se pode dimensionar a importância do papel do governo e do congresso na recuperação do país. E se pode perceber também o enorme abacaxi que o novo presidente americano terá que descascar.
Com maior ou menor diferença, todas as pesquisas estão indicando a vitória do democrata Barack Obama nas eleições desta terça-feira para a presidência dos EUA. Porém, se nos Estados Unidos a diferença pró-Obama é pequena, fora ela é muito maior. Uma pesquisa feita pela rede britânica BBC em 22 países indicou uma preferência absoluta por Obama. Em todos esses países se a população votasse elegeria Obama.
Aqui no Brasil não se tem pesquisa, mas se tem desde ontem a manifestação aberta do presidente Lula. O presidente disse em Havana ao líder de Cuba, general Raúl Castro, que “no mundo todo existe uma pontada de alegria” nas mentes das pessoas que pensam em “como seria bom se um negro fosse eleito presidente dos Estados Unidos”. E comparou uma vitória de Obama a um triunfo da esquerda. Lula aproveitou para fazer o seu proselitismo, dizendo que se Obama for eleito irá acabar com o embargo econômico a Cuba. Logicamente, partiu para o terreno das suposições. E nesse terreno pode-se esperar algo mais concreto para o Brasil: a abertura do mercado americano ao etanol brasileiro, sem sofrer tarifação. Esta, pelo menos, é uma hipótese que está sendo levantada pela equipe de Obama.
O fato inegável é de que a perspectiva de que o jovem e negro Obama venha se converter no governante da maior potência do mundo era um frisson pelo mundo afora.