Porto Alegre deve sediar nesta sexta-feira um encontro dos ministros da Justiça dos países do Mercosul. Dentre os temas a serem tratados está a questão do narcotráfico. Neste aspecto, Brasil e Bolívia estão desenvolvendo uma ação conjunta. Uma ação que, especialmente do lado do Brasil, visa resolver não só a questão do tráfico, mas também a da invasão do território brasileiro por bolivianos.
A questão do combate às drogas na Bolívia ficou prejudicada desde que o presidente Evo Morales resolveu expulsar do país, no início deste mês, a DEA, a agência norte-americana de combate às drogas. Ação que foi feita na esteira da expulsão também do embaixador americano no país. Resta saber se o Brasil vai fornecer à Bolívia a ajuda financeira que os EUA forneciam. Até porque, a contestação do governo boliviano é sobre a aplicação dos recursos. Evo Morales disse que quer receber o dinheiro, mas quem decide sua aplicação é ele. Ora, se o trabalho é conjunto, não pode ser ele apenas a decidir sobre a utilização do dinheiro.
Todavia, Morales usa como argumento o Plano Colômbia, pelo qual os EUA já concederam a Bogotá 6 bilhões de dólares, e que não vem apresentando resultado. Segundo Morales, deu-se o contrário, a produção aumentou 4%. Em encontro com o ministro brasileiro da Justiça Tarso Genro, o ministro de Governo da Bolívia, Alfredo Rada, reivindica a experiência boliviana como sucesso. “Erradicamos mais do que prevê a lei e não precisamos lamentar a morte de camponeses e de danos ao ambiente”, disse ele. O sistema aplicado pela Bolívia e que contraria a orientação da ONU, consiste em controlar a expansão da coca, porém, mantendo o cultivo em áreas autorizadas, para a utilização tradicional no país. Ou seja, como chá ou para mascar.
Já a questão da invasão de território brasileiro, tem-se dado especialmente no Acre, a partir da província de Pando. A província, cujo governador é dos que se opõe a Morales, está sob estado de sítio. Um conflito entre partidários do governador e do presidente deixou um saldo de 19 mortos, em agosto. Desde então, muitos bolivianos tem cruzado a fronteira para o lado brasileiro, o que tem feito com que policiais da Bolívia venham caçá-los do lado de cá, sem autorização do governo brasileiro. Esta é outra questão que estará na pauta das discussões entre os representantes dos dois países.