O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, perdeu a queda de braço com a oposição e apresentou hoje a sua renúncia. E a forma com que os opositores protestaram foi inédita. Ocuparam os dois principais aeroportos da capital do país e tornaram inviável a movimentação de aviões e passageiros. Foram seis dias de bloqueio aos aeroportos, que vieram se somar a seis meses de mobilização contra o premiê. A acusação, aquele mal endêmico em muitos países em desenvolvimento e que nós conhecemos bem aqui no Brasil: a corrupção.
O Tribunal Constitucional ordenou a dissolução do partido de Somchai, o Partido do Poder do Povo (PPP), ao declará-lo culpado de fraude eleitoral por irregularidades cometidas por vários de seus políticos nas eleições de dezembro de 2007. A dissolução do partido força também a saída de Somchai, que ficará inelegível por cinco anos, e pode pôr um fim à crise iniciada há seis meses pelos seguidores da Aliança do Povo pela Democracia (APD). Eles tomaram a sede do governo em agosto e mantiveram paralisados os dois aeroportos para forçar a queda de Somchai.
O vice-premiê, Chaovarat Chanweerakul, assumirá as funções do chefe do Executivo no governo provisório. Contudo, ainda não se sabe se haverá a dissolução do Parlamento, ou se os deputados do governante Partido do Poder do Povo criarão uma nova legenda para apresentar um novo primeiro-ministro.
Agora, algo despontou nesta crise da Tailândia: a forçada mobilização popular, que derrubou o primeiro-ministro