O fato de Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, o único terrorista sobrevivente dos ataques de Mumbai, ter admitido que foi treinado no Paquistão, faz aumentar a já permanente tensão entre aquele país e a Índia. No entanto, ao mesmo tempo cria-se uma condição para uma reaproximação entre os dois países, se o governo paquistanês se dispuser mesmo a realizar uma investigação sobre a organização terrorista que age em seu país. E a organização é conhecida. Trata-se da Lashkar-e-Tayyba, um grupo terrorista ligado à rede Al Qaeda.
O problema será realizar efetivamente essa investigação. As redes terroristas agem em determinadas regiões do Paquistão assim como atuam os bandos de narcotraficantes nas favelas do Rio de Janeiro. Ou seja, fora do controle das forças de segurança. O governo central, enfraquecido pelas constantes disputas políticas e pelas divergências étnico religiosas no país, não tem condições de atuar de maneira efetiva contra o terror.
Daí a importância da proposta que está sendo articulada pelo futuro governo da Barack Obama, no sentido de promover uma ação conjunta na região de combate ao terror. Só com todos os governos da região agindo de forma conjunta e com o apoio dos EUA e da Otan, será possível combater o terror. De forma isolada, não haverá sucesso.
DIPLOMACIA CONJUNTA
A reação aos atentados de Mumbai está demonstrando um fato curioso na política externa dos EUA. Percebe-se uma harmonia entre o governo que está saindo e o que está por entrar. Barack Obama manifestou sua determinação de buscar uma ação conjunta entre os países da região para combater o terror. Especialmente de países que tem rivalidade histórica, como Índia e Paquistão. Pois a secretária de Estado Condoleezza Rice foi à região para encontrar-se com o primeiro-ministro da Índia Manmohan Singhe com o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardini e com o premiê do mesmo país, Yusuf Raza Gilani e comandantes militares.
A Índia tem cobrado do Paquistão uma ação incisiva contra os terroristas sediados no seu país. Especialmente, porque, segundo os indianos, a evidência do interrogatório de Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, único suspeito capturado vivo após os atentados de Mumbai, apontou que o grupo foi treinado pelos militantes paquistaneses do Lashkar-e-Tayyba –que ficou conhecido por combater os indianos na conquista da Caxemira, um dos principais pontos de tensão entre os dois países.
Na conversa com Rice, Zardari prometeu nesta quinta-feira que seu governo adotará “fortes medidas” contra qualquer paquistanês envolvido nos atentados de Mumbai. É apenas uma promessa, mas é o primeiro resultado da ação conjunta da diplomacia americana entre os governos de transição.