Presidente latino-americanos estão reunidos na Bahia, tendo como tema aquela questão que mais se fala por aqui, mas que pouco se pratica: integração. E não é fácil promover a integração regional com dirigentes tão opostos como o venezuelano Hugo Chávez, que vive batendo de frente com os EUA, e o colombiano Álvaro Uribe, aliado incondicional do governo americano. E ainda mais quando se tem governantes como o equatoriano Rafael Correa, que anuncia um calote a um banco oficial de um país vizinho. Aliás, sufocar as ações de Correa contra o Bndes foi uma das principais preocupações da diplomacia brasileira, para evitar atritos durante a cúpula da Bahia. O Itamarati se mobilizou para evitar que, com suas reclamações, Correa “azede” a reunião, cujo tema é “Integração e Desenvolvimento”.
Volto a dizer que o tema é muito difícil de ser posto em prática, tendo em vista que estão reunidos 33 chefes de governo ou de estado, representando quatro grupos regionais: Mercosul, Unasul, Grupo do Rio e Cúpula América Latina-Caribe. É muita gente e muito pensamento diferente para ser conciliado.
ATRITO NO PRATA
Para se dimensionar o quanto há de divergências no âmbito regional, que dificultam a multicúpula que está sendo realizada na Bahia, basta observar que até aqui, no âmbito do nosso Mercosul, temos uma diferença profunda entre dois vizinhos: Argentina e Uruguai. Isto se dá pelo fato de que a Argentina indicou o nome do ex-presidente Néstor Kirchner para ser o secretário-geral da Unasul, a União de Nações Sul-Americanas, organismo criado em maio por iniciativa do Brasil. O presidente do Uruguai, Tabaré Vasquez vetou, terminantemente, o nome de Kircher.
O veto está relacionado a uma disputa que se estende por dois anos e que já chegou até ao Tribunal Internacional de Haia. Trata-se da planta da Botnia instalada às margens do rio Uruguai e que gerou intensos protestos do lado argentino. Protestos que resultaram no fechamento de pontes ligando os dois países, o que tem trazido enormes prejuízos para o Uruguai. E todas essas ações do lado argentino tem tido o apoio de Néstor Kirchner. E é por isto que ele tem a rejeição do governo uruguaio.