Um dos pedidos feitos no encerramento da cúpula América Latina-Caribe, ontem na Bahia, foi endereçado ao futuro presidente dos EUA, Barack Obama, para que suspenda o bloqueio econômico a Cuba. Esse bloqueio foi imposto há 46 anos, no auge da Guerra Fria e logo após a crise dos mísseis de 1962. A decisão foi tomada no âmbito da OEA, a Organização dos Estados Americanos, o que significou que todos os países da região estabeleceram o mesmo bloqueio.
Com o passar do tempo e o fim da Guerra Fria, gradativamente, os países da região foram restabelecendo o comércio com Cuba. A única exceção passou a ser os EUA. Isto porque, o governo de Washington manteve sempre uma premissa para o levantamento das sanções: a redemocratização de Cuba. E como até agora não houve qualquer avanço nesse sentido, Washington segue mantendo o bloqueio.
Pois, é curioso que os países reunidos na Bahia tenham feito um apelo apenas num sentido. Ou seja, apenas para os EUA. Quanto à redemocratização de Cuba não fizeram nenhuma manifestação. Será que vão continuar aquela conversa mole de que aquele sistema de partido único em Cuba, sem liberdade de manifestação e sem liberdade de imprensa, entre outras coisas, é uma democracia? Isto é, no mínimo, uma incoerência.