A mudança na política externa dos EUA a ser adotada pelo governo de Barack Obama já se torna perceptível com a reestruturação que está sendo feita no Departamento de Estado. Ou seja, na área diplomática. Sob George Bush, o Departamento que tinha maior força era o da Defesa, ou seja a área bélica.
Trocar o belicismo pela diplomacia é o que pretende Barack Obama. Por isto, antes mesmo de tomar posse, Hilary Clinton já está construindo um Departamento de Estado mais poderoso, com orçamento maior e com um qualificado elenco de pessoas para serem enviadas a pontos de conflito. O Departamento também ganhará um reforço para o trato das questões econômicas, tendo em vista a crise internacional. A convicção é de que o setor deve participar de forma intensa nas ações para a recuperação da economia global.
Dentro desta estratégia, já foi designado como um dos seus vices de Hilary, Jacob Lew, que foi diretor de Orçamento de Bill Clinton. Seu papel será conseguir mais verba para o corpo diplomático.
AÇÃO BÉLICA
Todo este reforço à área diplomática não quer dizer que Obama irá deixar de lado a parte bélica. Não deixará, mas agirá onde se faz necessário, como no Afeganistão, por que é lá que está o centro do terror. Aliás, Barack Obama sabe que terá uma missão dificílima pela frente com o deslocamento que terá que fazer das tropas americanas do Iraque para o Afeganistão. Terá que enfrentar lá a Al Qaeda e as milícias do Talibã, o grupo que foi deposto do governo pelos EUA, mas que se reestruturou, porque George Bush resolveu deixar o Afeganistão de lado e se deslocar para o Iraque. E esses milicianos estão hoje tão bem reestruturados que atacam não só no Afeganistão, como também no Paquistão e no Iraque. Isto que a Otan mantém hoje no Afeganistão um contingente de 50 mil homens, sendo 20 mil americanos.
O grande problema é caçar os milicianos pelas inóspitas montanhas do Afeganistão, região que eles conhecem profundamente e onde conseguem cooptar o apoio das populações locais. E é justamente este apoio que falta às forças da Otan. Até porque, estas agem basicamente através de bombardeios aéreos.
Obama, no entanto, já tem de seus comandos militares a tática para reverter a situação no Afeganistão. Mais 20 mil mil soldados americanos deverão chegar ao país até junho. Porém, o mais importante, será a aplicação da mesma tática que deu certo no Iraque. Consiste em financiar milícias locais para lutar contra os extremistas do Talibã nas partes remotas do Afeganistão. A ação pode ser melhor sucedida no Afeganistão, em vista dos diversos clãs que se espalham pela partes mais remotas do país e que não querem ser dominados pelo Talibã. Será o uso das rivalidades locais como um aliado.